Vício na internet: o medo de estar desconectado

Por que estar inserido cada vez mais na cultura de tecnologia causa problemas psicológicos incluindo a angústia de estar fora da rede para muitos jovens?
Por Angela Caritá, Helena Figueroa, Julia Palmieri, Pedro Cantelli e Tiago Tortella

O vício em internet é um dos principais problemas modernos. Ainda mais quando oito em cada dez crianças e adolescentes com idades entre 9 e 17 anos já possuem acesso à rede, segundo pesquisa de 2017 da TIC Kids Online, feita pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil. São 24,7 milhões de jovens perqmanentemente conectados. “A primeira coisa que eu faço quando acordo é mexer no celular”, conta a estudante universitária Gabriella London, de 18 anos. Por dia, ela fica ligada na tela do celular cerca de 10 horas.

Fonte: Revista Abril/Reprodução

Jovens estão expostos a um verdadeiro bombardeio de notificações e estímulos visuais. Do lado da sedução virtual, vários aplicativos criam maneiras específicas de chamar a atenção do usuário e persuadi-lo a ficar mais tempo na rede. A estudante de Direito Hannah Reis, 19 anos, passa, no mínimo, 8 horas por dia online. “Faço tudo com o celular a mão e quando eu estudo uso o aparelho também para repassar a matéria, revisar com os amigos etc”. Essa é uma prática comum para os adolescentes brasileiros, mas qual seria, então, um dos efeitos da exposição prolongada às redes sociais?

Uma nova terminologia, descrita pela primeira vez em 2000 por Dan Herman, pode nos ajudar a entender um pouco melhor os efeitos. O Fomo (Fear of Missing Out, medo de estar perdendo algo, em tradução livre) retrata o constante medo de não estar vivendo ou observando as experiências de outras pessoas e  pode ser uma das razões que se torna impossível desligar o celular, aumentando, portanto, o vício em internet.

Segundo Herman, estar desconectado das redes sociais significa duas coisas: não saber o que está acontecendo e também não compartilhar. Assim, perder uma notícia, uma foto nova de uma blogueira ou “stories” no Instagram, que some depois de 24 horas, pode parecer um pesadelo para essa geração. Não saber o que está acontecendo nas redes sociais é, nesse sentido, encontrar-se fora até do ciclo social. 

“Tenho certeza que eu tenho Fomo. Quando não consigo sair com meus amigos, sinto que estou perdendo alguma coisa. Se eu não estou online e a conversa já acabou em algum grupo do Whatsapp, sinto que perdi algo”, conta Gabriella. O crescimento de usuários na rede está diretamente ligado com o Fomo, uma vez que as redes fazem parte da nossa vida como fonte de informação e de sociabilização com as outras pessoas. 

Além da vida social, o mercado de trabalho demanda estar inserido nas redes sociais e sair desse vício pode ser complicado. É difícil reconhecer o problema e procurar ajuda, mas algumas iniciativas foram criadas para auxiliar as pessoas nessa questão.

O site “Dependência da Internet” é um programa que, por meio da psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico oferece tratamento especializado para pessoas diagnosticadas com dependências tecnológicas, incluindo, assim, o vício em internet. Os encontros presenciais (e não virtuais) são quinzenais em grupo, e abordam  questões como baixa auto-estima, depressão, fobias sociais, solidão e isolamento. O tratamento tem sessões de 1h30 durante 18 semanas. Além disso, o grupo também oferece ajuda aos familiares do paciente.

Por isso, se você quiser saber se está viciado, o site do programa disponibiliza um teste gratuito, é só clicar aqui.

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2 comentários em “Vício na internet: o medo de estar desconectado”

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