Cultura Jovem Moderna: as tribos urbanas

Por Luzia Barros, Tatiany Mercatelli, Gabriela Merces, Mylena Rodrigues, Luisa Araujo e Bianca Galvão

História das tribos urbanas

Nas décadas passadas, não havia clareza na definição sobre a identidade ou cultura jovem, desse modo a atribuição dada estava associada a um estágio para a vida adulta, principalmente com o término da escola e o surgimento de cobranças do trabalho e de constituição familiar, sendo assim, pouco era o foco que os representassem. Após a Segunda Guerra Mundial, a visibilidade e domínio dos jovens em busca de uma identidade se articulou principalmente por símbolos sociais interligada aos estilos musicais. Cada grupo com sua característica e necessidades, agrupando-se em tribos urbanas, que aos poucos criaram discursos próprios e até de influência política, como os movimentos punk, hippie e o festival de Woodstock. 

A filosofia de vida social, política, musical e de expressão é o que difere cada tribo de geração a geração. Logo a cultura jovem passou por diversas mudanças que se construiu dentro de uma virtualização, possibilitando o surgimento de novos grupos como: LGBT, Skate e Funk que estão presentes com outras permanecentes como Black Music e Rock. Conheça um pouco sobre a identidade e característica de cada uma dessas tribos urbanas e como sua criação tem forte importância nas relações sociais presente no nosso cotidiano.

Skate

O que antes não passava de uma brincadeira entre surfistas virou assunto sério. Campeonatos surgiram a todo vapor, e com eles, uma nova tribo surgiu em meio ao asfalto, os skatistas. O skate, uma das principais tribos urbanas das cidades, virou um símbolo de revolução e irreverência, um estilo de vida mais ousado, livre e cheio de atitude. Mas como nem tudo são flores e rodinhas, em 1988, o esporte chegou a ser proibido no Brasil, depois que skatistas fizeram um protesto no parque Ibiraquera contra o governo de Jânio Quadros. 

 Anunciada em 2016, a notícia de que o skate virou esporte olímpico animou a nova geração jovem de skatistas. Vinícius Gabriel, 21 anos, que desde os 10 anda de skate, nos contou que o esporte apesar de não ter o tirado da rua, levou-o para o caminho certo. “Temos nosso jeito de falar e se vestir, muita gente olha torto, mas o que eles não sabem é que temos disciplina e respeito, nossa comunidade é unida e só queremos conquistar nosso lugar na cidade”, acrescentou o jovem.

Skatista da Praça Roosevelt
Vinicius Gabriel, 21 anos, pertencente de uma das tribos urbanas de São Paulo, realizando uma manobra de skate em uma das praças mais famosas da cidade. Foto: Tatiany Mercatelli

Rock n’ Roll

O rock ‘n’ roll teve origem nos Estados Unidos a partir dos anos 1950, popularizando-se entre as tribos urbanas ao redor do mundo por carregar um apelo comportamental e visual cheio de irreverência e atitude. Grandes nomes do rock se consolidaram  nos EUA e na Inglaterra. Os padrões e a formatação sonora variavam de acordo com a mensagem e adaptação de um ritmo contagiante que posteriormente recebeu divisões, entre as quais Rock Clássico, Hard Rock, Heavy Metal, Indie Rock, Glam Rock, Punk Rock, Grunge, Rock Progressivo e Country Rock.

O rock ‘n’ roll teve origem nos Estados Unidos a partir dos anos 1950, popularizando-se ao redor do mundo por carregar um apelo comportamental e visual cheio de irreverência e atitude. Grandes nomes do rock se consolidaram  nos EUA e na Inglaterra. Os padrões e a formatação sonora variavam de acordo com a mensagem e adaptação de um ritmo contagiante que posteriormente recebeu divisões, entre as quais Rock Clássico, Hard Rock, Heavy Metal, Indie Rock, Glam Rock, Punk Rock, Grunge, Rock Progressivo e Country Rock.

O estilo teve seu auge nas décadas de 1970 e ficou popular especialmente em 1980, quando nasceram as principais bandas do gênero, como ZZ Top, Aerosmith, AC/DC, Iron Maiden, Metallica, entre outras, que passaram a atrair multidões durante shows em estádios e festivais.

Desde os anos 2000, o estilo musical tem perdido espaço para o hip hop, pop, entre outros. Contudo, quem aprecia o rock se mantém fiel, continuando a lotar os shows. No Brasil, a maioria dos espetáculos atrai muitos fãs e espectadores.

Em uma conversa exclusiva com a Factual 900, Taciana Barros, fã de rock e musicista, contou sobre o seu primeiro contato com o gênero musical: “Na primeira vez que ouvi rock na vida, tive um choque, porque até então só ouvia os discos de MPB e Jazz do meu pai. Ganhei de um amigo um disco da Rita Lee com o Tutti Frutti, e foi amor à primeira vista”.  

Ao perguntarmos o que diferencia esse gênero dos demais, Taciana disse que “O rock é uma música da juventude, que faz as pessoas se sentirem jovens, mesmo com o passar do tempo.”

A artista também contou o impacto que o rock ‘n’ Roll teve em sua vida: “Quando eu vi o rock pela primeira vez, eu me identifiquei completamente e entendi que esse seria o meu caminho. Aos 17 anos eu tocava em um grupo de baile em Santos e fui convidada para entrar em uma banda que estava em ascensão no Brasil, a Gang 90 & Absurdettes, e foi com o Júlio Barroso, líder da banda e DJ, que fui apresentada para o Punk Rock, Rock New Wave, além do rock dos anos 60 e 70 que eu já conhecia. De alí em diante, gravei vários discos em diversos projetos, inclusive um projeto infantil de Rock para criança, o Pequeno Cidadão, com parcerias com Arnaldo Antunes (Titãs) e Edgard Scandurra (Ira!). Costumo sempre assistir os shows de rock que rolam por São Paulo, o último que assisti foi do King Crimson, no Espaço das Américas, eu adorei!”.

Taciana Barros tocando guitarra no show do Pequeno Cidadão em 2014
Em show pelo Pequeno Cidadão, Taciana Barros, líder da banda, toca guitarra para o público. Foto: Divulgação

Apesar de muitas pessoas dizerem que o Rock acabou, Taciana declarou que não é o que sente, “Para mim ele (o rock) sempre será necessário, divertido, jovem, transformador e eterno”.

Funk

Funk é uma das tribos urbanas musicais que surgiu da música norte-americana negra, no final da década de 1960, surgindo por meio dos estilos R&B, Jazz e Soul. Contudo, o funk que marca presença no dia a dia brasileiro é o carioca, o qual foi derivado por um ritmo completamente diferente, o Miami Bass, que possui batidas mais agitadas e conteúdo erótico. Hoje, os bailes funks são referência quando se trata desse estilo musical, o qual conseguiu impacto até mesmo no plano internacional.

A Factual 900 conversou com Bruna Leal, 19, estudante e amante desse estilo. A jovem contou que o estilo musical esteve com ela desde pequena, sendo algo que carrega consigo há tempos. “Considero esse ritmo contagiante, sempre queremos mais, mesmo se você cansar de escutar hoje, amanhã você quer de novo, sabe?” , disse Leal. “É um estilo completamente diferente do Sertanejo, por exemplo, que na grande maioria das vezes te faz querer chorar, e o funk não, é muito difícil alguém ouvir funk e não se animar, não ficar feliz.” Quando questionada sobre uma palavra que poderia definir o gênero musical, Bruna nos respondeu: “Envolvente”.

LGBT

A sigla para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais Transgêneros (LGBT) nasceu como um movimento a favor dos direitos às diversas orientações sexuais e identidades de gênero. O movimento tinha de início a sigla GLS (Gays, Lésbica e Simpatizantes) e recebeu o novo nome em 2008. O grupo  nos últimos anos se tornou, além de um movimento e uma sigla, uma das tribos urbanas mais famosas de São Paulo e um estilo de vida, tendo até mesmo baladas, eventos, bares, músicas, programas de televisão e muito mais voltados especialmente para esse público. Uma grande concentração desses points LGBTs fica na Rua Augusta, em São Paulo, sem contar a Parada LGBT que acontece todos os anos em diversas cidades do Brasil e do mundo e reúne diversos nichos dessa grande tribo.

Matheus, de 23 anos, é frequentador do Bar da Loka, do Bubu Lounge Disco e muitos outros points. Ele disse à Factual 900 que o primeiro passo para fazer parte dessa galera é a aceitação, “Se não se aceitar, como vai saber que tribo é a sua?” disse Matheus, complementando que é preciso saber quem você é e onde é seu lugar para não se sentir inseguro, deslocado e até mesmo com medo. “É por isso que procuro estar em lugares que possa ser eu mesmo, e com pessoas que saiba o que é passar por isso. E quando frequento esses locais como baladas e bares LGBT, é pra me sentir em casa e perto de pessoas como eu. Livre de preconceitos e julgamentos”, disse Matheus sobre o  grupo ser muitas vezes menosprezado pelo restante da sociedade.

matheus e seus amigos em um uma balada LGBT
Matheus Oliveira, 23, com os seus amigos no Bar da Loka. Foto: Matheus Oliveira

Black Music

A Black Music americana, diferente das demais tribos urbanas citadas, começou com os escravos, trazidos da África como gado, em navios negreiros. Para conseguir ajudar uns aos outros, e alentar seus corações tristes e amargurados, estes escravos cantavam suas melodias trazidas de um continente distante, em ritmos envolventes e que tinham o poder de dizer aos corações dos que estavam prestes a desistir para que não desanimassem, que continuassem na batalha, na luta pela sobrevivência e pela mudança. 

Talita Rodrigues, 34, é uma amante da Black Music e em uma conversa com a Factual 900 contou que conheceu o gênero musical através de sua família, principalmente pelo seu pai. Ela disse que se identifica com o estilo por trazer referências à cultura do povo negro e por gostar do estilo de se vestir, que tem muito a ver com o estilo dos afro-americanos. “O que diferencia as pessoas que curtem black music do resto, acredito que é o estilo e a intensidade com que curtem as músicas”, declarou.

Também conversamos com o Dj Mass, um dj de black music e de rap. “Eu cheguei na black music através de amigos mais velhos que já frequentavam as festas black e samba nos anos 90, e logo me identifiquei com a vertente.“ Ao perguntarmos qual o diferencial do gênero em relação aos demais, o DJ nos respondeu que é a força do movimento. “O preconceito foi o combustível para a cultura black predominar e assim, sustentar a black music.” 

Pedimos para ambos os entrevistados definirem o estilo em uma palavra. Talita respondeu “Liberdade”, já o Dj, “Religião”.

Dj Mass tocando black music
Dj Mass tocando Black Music no bar Quitandinha, localizado na Vila Madalena. Foto: Divulgação/ Instagram do Dj
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