Imagem com adesivo de teoria da conspiração sobre o "11 de setembro"

Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração?

A verdade é que até hoje tem quem acredite nas mais bizarras teorias da conspiração

Por Gabriel Fidelis, Gabriel Vargas, Gabriela Tugumia, Pedro Costa, Sofia Carnavalli e Victor de Godoy

É provável que já tenha se deparado com alguma teoria da conspiração na internet, algo como “Michael Jackson está vivo” ou “Xuxa é satanista”, e, por alguns segundos, parou para pensar se aquilo fazia sentido? Calma, você não está sozinho. Se é verdade que o universo conspira, por que o mundo não teria lá seus conspiradores de plantão? Dúvidas surgem quando acontecimentos são contados sem comprovação dos fatos ou se eles possuem lacunas que abrem espaço para outras possibilidades.

“Diante de um fato, do que não foi muito bem explicado, logicamente surge a necessidade daquele que não compreende muito bem os acontecimentos de procurar tentar entender se existe a possibilidade do ‘óbvio’ ser explicado de outra forma”, explica o professor de história Rodrigo Pessoa, formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Em entrevista à Factual900, Pessoa ressalta que desde que começou a ensinar o processo da investigação dentro do processo da história, as dúvidas foram aparecendo, afinal “nem tudo é o que parece”.

No direito, a expressão em latim “in dubio pro reo” permite que em situações de incerteza a pessoa seja inocentada em um julgamento. Na vida real, os chamados teóricos da conspiração levam essa lógica ao pé da letra, explorando as dúvidas e incertezas para cultivar histórias sem comprovação.

O Dicionário de Oxford afirma que a teoria da conspiração pressupõe que “um evento ou fenômeno ocorre como resultado de uma conspiração entre as partes interessadas”. Ainda nessa definição, essas histórias costumam ter como fonte “alguma agência secreta, porém influente — tipicamente motivada por questões políticas e opressiva em seus propósitos —, é responsável por um evento inexplicável”. Em outras palavras, se é secreto, como se poderá se provar se a teoria é falsa ou verdadeira.

Ao longo do tempo, teorias que abordam o mundo dos famosos, como histórias de celebridades que morreram ainda estarem vivas ou que foram substituídas por aliens ou por sósias, acabam circulando livremente. Elvis Presley já morreu e ressuscitou dezenas de vezes.

É um jogo político

Fonte: G1
Arte independente

A internet se tornou o palco de diversas teorias da conspiração, muitas delas bizarras ou apenas mentiras que são propagadas para chamar a atenção. Por meio das redes sociais, conteúdos mentirosos têm alto poder de viralização, o que expandiu o alcance dessas historietas mirabolantes. Para uma teoria da conspiração ganhar vida própria, basta ter um grupo de pessoas que acredite nela, propague e defenda aquela história.

Favorecer um grupo por meio de uma retórica político-ideológica é uma das estratégias mascaradas utilizadas por governos determinados em alimentar as teorias da conspiração. Nos anos de eleição no Brasil, surgem diversas teorias. As pessoas, com pouca informação, acabam aderindo facilmente ao que está sendo propagado e se tornam alvos fáceis da manipulação. 

O historiador Rodrigo Pessoa observa que “não é uma coisa de um grupo só, é de quase todos”. Ou seja, todos podem se beneficiar das mentiras ou suposições nas quais as teorias se embasam. Cabe à população ficar atenta ao que é ou não verdade, além de procurar se precaver contra fake news cada vez mais disseminadas. As fake news podem ou não ser baseadas em teorias da conspiração.

Freud explica

O ato de pertencer é uma das principais necessidades dos seres humanos, de acordo com o psicanalista Heinz Kohut e o modelo “psicologia do self”. Para ele pertencer é se sentir “humano entre seres humanos”, é a sensação de estar conectado a outras pessoas. Kohut identificou que uma das principais causas dos problemas de saúde mental foi a falta de pertencimento ou a percepção de que estamos afastados de nossos semelhantes.

Para explicar o que acontece com as pessoas para que elas acreditem nas teorias da conspiração a ponto de se tornarem membros de grupos ou discípulas de determinadas crenças, a psicóloga e psicanalista Taisa Maranhas utilizou o conceito de “massa psicológica”. Taisa é membro-associada do Corpo Freudiano Seção Rio de Janeiro.

Fonte: Reprodução

A “massa psicológica” é formada a partir de ligações afetivas entre pessoas por meio da identificação, ou seja, quando se encontra algo em comum as pessoas se unem em um grupo. O criador da psicanálise, Sigmund Freud, dizia que a massa precisa que alguém tome as decisões de suas vidas e assim que encontram o líder, aceitam toda e qualquer escolha dele sem questionar. 

“Exonerar-se da tomada de decisão, à primeira vista, pode parecer incompreensível, mas é bom nos lembrarmos que, ao nos abdicarmos da decisão, estamos nos desresponsabilizando pelo resultado. Seguir o discurso do mestre, que dita o que eu devo fazer, é a melhor forma de culpabilizar alguém por algo que dá errado na minha vida, quando isso acontecer”, explica. 

Sabe-se que os seres humanos são seres sociais e culturais, buscamos pela identificação com o outro, mesmo que inconscientemente. Na visão de Freud, são dois tipos possíveis: a identificação horizontal e a identificação vertical. “A primeira dirá do reconhecimento, nos pares, de algo presente em si mesmo. A segunda, voltada para o líder, pressupõe a idealização deste como uma figura paterna. O ideal do Eu — aquilo que pensamos que a cultura e a sociedade esperam de nós, o que nos impulsiona a agir ‘conforme manda o figurino’ — é substituído pelo ideal do mestre”, afirma Taisa. Grosso modo, é como se as pessoas que estão na massa estivessem sempre em busca de alguém para substituir a figura paterna protetora. 

Em “O mal-estar na civilização” (1930), Freud confirma a necessidade de um limite do Eu para a distinção entre o que é individual e o que é coletivo. Nessas formações grupais, esse sentimento de delimitação individual se embaralha e, por vezes, os membros agem como não agiriam se estivessem sozinhos. Esse comportamento é observado com muita frequência dentro dos grupos de teorias conspiratórias.

Fonte: Reprodução
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