Teatro no Brasil em 5 atos

Um panorama histórico do desenvolvimento dos palcos brasileiros

Ato 1: A origem do teatro no Brasil

No Brasil, o teatro sempre foi uma poderosíssima arma social, tornando-se cada vez mais importante para criticar as dificuldades do país. Aqui, ele surgiu com os jesuítas, que utilizavam essa arte para catequizar os nativos, criando o Teatro de Catequese

As peças dessa categoria tinham uma preocupação religiosa e, por isso, os atores eram amadores e a intenção era ensinar os sermões da Bíblia. Um dos autores mais conhecidos da época é o Padre Anchieta.

Com a chegada da Família Real portuguesa em 1808, o País passou a ter influências européias em sua cultura. A chamada Comédia de Costumes retratava a vida da elite portuguesa, com o intuito de diverti-la ironizando suas próprias atitudes. 

Contudo, as montagens eram satíricas e o teor cômico das apresentações mascarava as críticas à corte, como é evidente na peça “O juiz de paz na roça” (1838) de Martins Pena, um dos principais dramaturgos desse estilo teatral:

ESCRIVÃO – (LENDO) Diz Francisco Antônio, natural de Portugal, porém brasileiro que tendo êle casado com Rosa de Jesus, trouxe esta por dote uma égua. “Ora, acontecendo Ter a égua de minha mulher um filho, o meu vizinho José da Silva diz que é dêle, só porque o dito filho da égua de minha mulher saiu malhado como o seu cavalo. Ora, como filhos pertencem às mães e a prova disto é que a minha escrava Maria tem um filho que é meu, peço a V.S.a mande o dito meu vinho entregar-me o filho da égua que é de minha mulher”.

(Fragmento da peça ‘Juiz de Paz na Roça’ de Martins Pena)

Resultado de imagem para teatro de manaus"
Teatro Amazonas Fonte: Arquivo Nacional do Brasil

Ato 2: A tríplice do Teatro de Revista

No século XIX, o autor Artur Azevedo deu início ao chamado Teatro de Revista, carinhosamente chamado de Revista, estabelecendo um estilo em que os textos eram mais importantes que a encenação. 

A Revista passou por três fases importantes. A primeira teve influência de Azevedo, a segunda substituiu a orquestra por uma banda de jazz na década de 1920 e 1930, incorporando a nudez feminina e a terceira teve apresentações que se transformavam em espetáculos com grandes coreografias, cenários e figurinos. 

Um expoente da terceira fase, veiculado na televisão, é o Programa do Chacrinha. Ele apresentava características específicas desse estilo teatral e representa a última fase do Teatro de Revista no Brasil, que teve seu fim na década de 50.

Ato 3: O teatro e a TV

Com a popularização da televisão, por meio dos investimentos de Assis Chateaubriand, o teatro ganharia, anos depois, um forte concorrente, com o surgimento das telenovelas, a maior herança do audiovisual brasileiro. Os profissionais da área enxergaram um futuro promissor no novo modelo de dramaturgia.

Quando a TV passou a estar presente nas casas brasileiras, em 1950, Lucas Papp, ator, diretor e professor de teatro, diz acreditar que o teatro foi deixado de lado e os espectadores passaram a se acomodar em suas casas para consumir um entretenimento parecido com o dos palcos. Assim, o teatro perdeu boa parte de seu público. 

Para Papp, as pessoas não foram capazes de perceber a diferença estabelecida entre esses dois campos da arte. Segundo ele, a interpretação teatral demanda tempo de crescimento e construção para apresentar várias vezes a mesma coisa. Na TV, o período de entrega dos trabalhos é extremamente curto. 

Ato 4: Teatro na Ditadura Militar 

Durante a ditadura civil-militar, o teatro foi uma das entidades artísticas que resistiu e criticou o governo, usando a inteligência para escapar da censura. O grupo Teatro de Arena é o maior símbolo da época e a peça Roda Viva, de Chico Buarque, é uma das principais obras contra o sistema:

[…] A gente quer ter voz ativa

No nosso destino mandar 

Mas eis que chega a roda-viva

E carrega o destino para lá […]

( Trecho de Roda Viva – Chico Buarque)

Resultado de imagem para theatro municipal sp"
Theatro Municipal de São Paulo Fonte: Pixabay

Ato 5: O teatro contemporâneo

Hoje, o teatro brasileiro tem uma linguagem contemporânea. Marcado pelo naturalismo e pela veracidade das atuações, ele teve início com Nelson Rodrigues e a peça “Vestido de Noiva”, tornando-se um marco para a modernidade dessa arte. O autor tem uma característica forte em sua escrita: personagens com perfil psicológico desenvolvido, fator presente em montagens atuais. 

Resultado de imagem para teatro"
Fonte:  Portal SESCSP

Outra modalidade teatral atual é a das peças experimentais. Nelas, um texto base já conhecido como, por exemplo, Romeu e Julieta de Shakespeare dá origem a outras cenas modificadas por meio de Études (estudos de cena criados por Stanislavski parecidos com a improvisação, em que os atores experimentam uma nova maneira de retratar uma mesma cena). Esta abordagem cria um novo jeito de interpretar uma peça clássica.

Siga-nos nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *