Moda e comportamento hype

O hype no Brasil: o que é esse movimento?

Em 2005, Kevin Ma, idealizador do blog Hypebeast, um dos primeiros blogs de fashion, resolveu criar um site em que pudesse falar de sua grande paixão por tênis e tendências de streetwear. Mal sabia ele que, ao desenvolvê-lo, também estaria ajudando a propagar um novo conceito no mundo do consumo, o de hype, e dando um nome a quem consome esse conteúdo, os hypebeasts

Este termo, antes considerado depreciativo, significava alguém que segue tendências apenas para apelo social. Já na atualidade, e depois da criação do blog de Kevin, o conceito foi ressignificado para algo positivo.

Para um hypebeast, pagar mais de dez mil reais em um tênis Yeezy, marca do famoso rapper Kanye West, passar dias em uma fila para conseguir comprar uma camiseta da marca Supreme ou saber de cabeça o preço de um cinto Off-White são situações comuns. Segundo Washington Gonçalves, 20, estudante de Design de moda na Faculdade Anhembi Morumbi, os hypebeasts buscam roupas caras e únicas, ou seja, peças limitadas e exclusivas e, por esse motivo, lotam as filas de lojas como Nike, Bape, Tiger, Golf Wang etc., a procura dessas peças.

No Brasil, o termo se popularizou depois que o vídeo “Quanto custa o outfit?”, do canal de Youtube Hyped Content Brasil, viralizou e o “Gordinho do Outfit” virou meme. No vídeo, jovens contam o preço de suas peças de roupas, do boné até a roupa íntima. Pensando em cada item individualmente, quinhentos reais foram gastos em apenas uma meia, quatro mil em um tênis, e, em alguns casos, na roupa toda foram investidos quase quarenta mil reais, preço de um carro popular no Brasil.

O hype como comportamento

Hype significa algo em exagero, em alta. O termo é comumente usado pelo marketing para evidenciar alguma ideia, coisa ou produto. Portanto, no mundo da moda, ele é algo que está em alta, o último lançamento, o que está sendo mais vendido; junto disso vem a supervalorização de certas marcas conhecidas e as collabs feitas entre elas.

Em entrevista para o portal VICE, Felipe Escudero, do canal de Youtube Hyped Content Brasil, procurou desconstruir a imagem de ostentação produzida pelo sucesso do vídeo “Quanto custa o outfit?”. Ele diz que o movimento é composto por pessoas que apreciam o design de moda, a exclusividade das peças e a  história por trás delas, e não por pessoas que apenas desejam chamar atenção. Afirma também que o hype estimula o empreendedorismo em crianças e adultos pois, ao adquirir uma peça, é possível revender ou trocar, obtendo lucros. Além disso, o youtuber ainda rejeita aqueles que usam da tendência para tentar se autopromover.

A pegada principal do movimento, segundo o estudante Washington é, com certeza, alimentar um estilo de vida apropriado por grifes como Gucci e Versace como uma tendência a ser seguida. Por isso, as exclusividades das peças tornam-nas tão caras e as trocas e revendas dão continuidade ao hobby, evidenciando assim que não é apenas a simples ostentação pelos itens, mas o comércio e o lucro também.  

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