Minimalismo: aplicação e relação com sustentabilidade

Uma entrevista com Paula Matias, da Master of Simplicity Magazine

Se você leu nossa matéria sobre as ideias que orientam o consumo sustentável, provavelmente já sabe que o minimalismo é mais do que interiores banhados em tons neutros e móveis ultramodernos, caros e totalmente à prova de crianças, que é mais do que possuir apenas itens suficientes para caber em uma mala. É mais do que guardar apenas o que desperta alegria.

O minimalismo não é ser exigente quanto a lâmpadas e vasos. É ser exigente quanto ao que significa mais para nós, como pessoas, e para onde queremos direcionar nossa energia.

Para muitos, o minimalismo é algo que alguém pode fazer para melhorar a sua vida e, consequentemente, acaba melhorando o ambiente de alguma forma. Ao reduzir seu consumo, você não está apenas ajudando sua carteira ou seu armário, você está ajudando o planeta. Um estilo de vida minimalista e sustentável requer que você consuma menos e isso depende de você.

Logo da Master of Simplicity

Estas são algumas das ideias defendidas por Paula Matias, coach e CEO da revista portuguesa Master of Simplicity. Em entrevista à Factual900, ela fala do projeto, explica como começar a viver uma vida minimalista e qual a relação do movimento com a sustentabilidade.

Como começou o projeto?

Paula: O projeto começou como uma revista digital de inspiração para o minimalismo e decorreu da experiência da fundadora da Master of Simplicity quando decidiu mudar de vida, país e de continente, e levou tudo o que tinha apenas numa mala!

Qual o objetivo da revista?

Paula: O objetivo da Master of Simplicity é inspirar a uma vida minimalista e consciente. Hoje já não é uma revista digital, mas uma plataforma (instagram, facebook, web site e blog) de inspiração para uma vida mais centrada no Ser e menos no Ter.

Como é o público da Master of Simplicity?

Paula: A Master of Simplicity e o grupo de Facebook Minimalismo e Vida Consciente têm seguidores dos 20 aos 60 anos, essencialmente em Portugal e no Brasil. Mais de 50% são do sexo feminino, no entanto tem-se verificado um aumento dos homens, não só seguidores como intervenientes.

O que é minimalismo para a Master of Simplicity?

Paula: O Minimalismo é para mim, acima de tudo consciência , e daí a mudança de claim para salientar o foco na consciência. Mais do que Vida Simples é Vida Consciente. Como Coach para mim é essencial este conceito de consciência. Numa sociedade em que se vive em piloto automático, refém de inúmeras pressões consumistas, urge questionarmo-nos se efetivamente estamos cientes do que precisamos e do que não precisamos na nossa vida. Minimalismo é viver com o essencial ao nosso bem estar e retirar o que é acessório e apenas nos distrai de uma vida efetivamente sã a todos os níveis.

Qual a ligação entre minimalismo e sustentabilidade?

Paula: Consideramos uma vida consciente/ minimalista uma vida cujo foco é na qualidade e não na quantidade. Sustentabilidade é para nós também esse conceito de consciência: da nossa pegada ecológica e da herança que queremos deixar às gerações vindouras.

Por que o minimalismo está se tornando tão popular?

Paula: As pessoas estão a perceber que a viver desta forma exaustiva não só ficamos esgotados como esgotamos o nosso planeta. Estão a ficar mais atentas e conscientes das alterações climáticas, das pegadas ecológicas de cada um, e da sua própria saúde (aumento de “burn outs”, isolamento social, etc). Aliás, são cada vez mais pessoas a acreditar que este é o único caminho: uma vida minimalista e consciente! 

Para aqueles que possuem interesse em viver uma vida minimalista e sustentável, quais as recomendações de como começar?

Paula: Para começar a viver uma vida Minimalista, sugerimos que se inspire e perceba qual a área por onde deve começar. Isto é algo subjetivo, pois as pessoas colocam a atenção em temas diferentes da sua vida. Poderá começar por uma parte da casa, pela alimentação que escolhe para se nutrir, pelos locais que escolhe visitar, pelos livros que tem, pelos livros que lê, etc. Independentemente da área que escolher para começar deverá orientar-se pela sua intenção e questionar-se se precisa efetivamente desse objecto ou serviço ou por outro lado, se é apenas um desejo do momento. Questionar-se deverá ser a norma do dia!

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