Mexa-se! Conheça os benefícios da dança

Reprodução de "A Criação da Dança", de Denise Schlickmann. Na imagem, uma mulher dança de braços abertos.
“A Criação da Dança”, de Denise Schlickmann.

Ballet, Zumba, Sapateado, Jazz, Break Dance e por aí vai. A dança beneficia a sociedade nas mais variadas formas, pois seeja ela dança clássica, de salão, moderna ou rítmica, os bailantes dançam por diversos motivos: pode ser um hobby, uma forma de se manter saudável, uma competição esportiva ou até mesmo uma forma de manifestação política. Todos com seus benefícios.

Pouco se sabe sobre a data exata em que a dança, um dos pilares das artes cênicas, foi realmente considerada como parte da cultura. Contudo, os primeiros registros da dança como uma expressão artística foram identificados na Grécia Antiga, utilizada como forma de expressar os mitos.

Primeiramente, vemos que a dança beneficia na sociabilidade. Em seus primeiros estágios, foi responsável por reunir comunidades em rituais religiosos, abertura de eventos e até mesmo a comunicação interpessoal.

São muitos os benefícios (físicos e psicológicos) da dança. Conheça alguns deles.

A dança beneficia a vida em comunidade


O trabalho voluntário de dança da professora Lycia Guerreiro começou em 2008 quando
ela tinha apenas 16 anos. Ela foi criada dentro da igreja católica e na época estava se
preparando para ser crismada. Foi lhe pedido que se comprometesse com alguma
Pastoral daquela comunidade. Não tendo se identificado com as pastorais já existentes e
estando para se formar em Ballet Clássico, decidiu aliar o seu desejo de contribuir de
forma positiva na sua comunidade com a sua paixão pela dança. Sendo assim, solicitou
ao Padre permissão para a criação do grupo de dança e lhe foi cedido o salão da igreja
para que pudesse iniciar as aulas, dando enfoque a crianças que não teriam condições de
pagar por um curso de dança.


As aulas ocorrem todo o sábado das 14 às 18 horas, no salão paroquial da Igreja São
João Batista de Peruíbe há mais de onze anos. Hoje a professora conta com três turmas
de alunas de 6 até 89 anos. A maioria de suas alunas não possui renda suficiente para
custear um curso de dança e suas alunas se deslocam da periferia para a cidade, muitas
vezes caminhando por cerca de 50 minutos.


Por ser conhecido na cidade, o mencionado grupo de dança já foi convidado pela
Prefeitura Municipal de Peruíbe, por escolas particulares de dança e pela própria Igreja
para realizarem diversas apresentações. Ainda, todas as apresentações que o grupo de
dança organiza são beneficentes. O grupo já arrecadou alimentos e mantimentos à
Creche Educandário São Vicente de Paulo, que também é um projeto social que se
sustenta através de doações; à CAPI – Casa de Amparo e Proteção à Infância, instituição
que abriga definitiva ou temporariamente crianças e adolescentes em situações de risco;
aos projetos sociais da própria Igreja São João Batista de Peruíbe; e a última
apresentação beneficente que participaram, os fundos foram revertidos para as famílias
afetadas pelas fortes chuvas que ocorreram no mês de maio do ano de 2019 na cidade de
Peruíbe, deixando centenas de famílias desabrigadas.


Segundo a professora, “o maior benefício para as crianças e adolescentes, considerando
que elas são de baixa renda, é a inserção no mundo da arte e isso traz como benefício a
retirada da marginalidade. Nós sabemos que em comunidades afastadas, de baixa renda,
a prostituição, o tráfico de drogas, e a gravidez precoce são realidades e eu observo que
as meninas que estão inseridas no mundo da dança estão a parte dessas realidades. Elas
conseguem visualizar uma perspectiva, um futuro diferente. Então, eu acho que esse é o
maior benefício.”


Lycia acredita que a dança também pode ser usada para o tratamento de doenças ou
problemas emocionais como obesidade e depressão. Algumas de suas alunas já
passaram por situações de agressão, estupro e automutilação: “Eu tive o caso de uma
aluna que se automutilava, decorrente de uma depressão e ela conseguiu se tratar através
do ballet. O ballet conseguiu restaurar a autoestima dela e ela parou de se automutilar.”


A aluna Mariana Silvério de 16 anos afirma que “a dança nada mais é do que a
expressão dos meus sentimentos e emoções através do meu corpo, apesar das minhas
limitações por causa da minha saúde. Posso dizer que a dança me salvou, foi por causa
dela que não desisti de viver… A dança me traz a sensação de paz, meu refúgio por
assim dizer, quando tudo está dando errado basta dançar que parte das coisas se

resolvem, é como um remédio que mantém meu psicológico saudável. Além disso,
mantém meu corpo saudável, fortalecendo meus músculos e os exercitando e
principalmente corrigiu minha postura que não era das melhores, sou muito grata pela
dança existir”.


No mesmo sentido, é a declaração da aluna Karen de 17 anos: “Para mim a dança é um
modo ou método de expressar meus sentimentos e emoções com o corpo. Além de me
sentir livre, me tranquiliza, sempre deixando minha saúde mental em um bom estado.
Fisicamente me proporciona um bom funcionamento do meu corpo, exercitando meus
músculos e fortalecendo-os. A dança é a minha vida”.


Por fim, a professora afirma que a dança traz positivas transformações não só no âmbito
pessoal, como também no meio social e profissional: “A dança traz benefícios de
diversas ordens. É difícil citar todos, mas podemos mencionar o aumento da disposição
física, da autoestima, da coordenação motora, da elasticidade, do foco e da
concentração. Ainda proporciona saúde emocional, a redução da timidez, e nos ensina o
trabalho em equipe, o amor ao próximo, o comportamento em público e a expressão dos
sentimentos”. Ela recomenda que toda criança e adolescente passe pela experiência da
prática, não necessariamente da dança ou do ballet clássico, mas do esporte e da arte,
pois ela acredita que assim muitos problemas emocionais e físicos poderiam ser
evitados ou remediados.

20 meninas com roupas de ballet posam após receberem o terceiro lugar em um festival.
As alunas de Lycia no Peruíbe Dance Festival.

A dança beneficia a saúde e o bem-estar

O simples fato de a dança exigir um esforço físico e o uso dos músculos já a torna um exercício, com seus benefícios perceptíveis.

Para Ludmilla Marzano, bacharel em Dança e Nutrição pela Universidade Internacional da Flórida (FIU) e instrutora de Zumba, a dança beneficia a saúde. Ela defende que não é preciso saber dançar para praticar Zumba. “O importante é que o aluno se divirta durante a aula, assim como numa pista de dança em uma festa, diz”.

A instrutora conta que “a dança traz uma melhora inestimável para o psicológico, em todas as faixas etárias. No geral, libera serotonina e endorfina, hormônios do prazer, que causam um bem-estar geral. Além disso, contribui para a redução de níveis de ansiedade e estresse, podendo até mesmo ser um agente contra a depressão”.

Alunas de Ludmila comentam uma melhora na atividade sexual, por um aumento na autoestima.”Obviamente se sentem mais bonitas, mais confiantes e mais alegres”, relata.

Falando especificamente da Zumba, Ludmilla acredita que, considerando os benefícios ligados à diminuição do estresse e ansiedade, a dança pode ser mais benéfica para pessoas entre os 40-70 anos. “Com a perda de peso, nós nos sentimos mais jovens, com mais energia e vontade de viver”. 

Uma mulher sorridente de cabelos escuros dança enquanto dá aulas de Zumba.
Para Ludmilla, a Zumba é uma forma de esquecer dos empecilhos trazidos pela idade. (Foto do Facebook de Ludmilla.)

A dança pode ser um hobby

Existem ainda aqueles e aquelas que veem a dança como um hobby, uma atividade extra para passar o tempo e se divertir. É o caso de Isabela, de 18 anos. A aluna de Química na Faculdade Oswaldo Cruz teve aulas de ballet e jazz quando era muito jovem e nunca perdeu o amor pela dança. De acordo com ela, “consigo passar um sentimento usando o meu corpo. [A dança] me trazia felicidade e prazer, eu tinha meu momento de ‘desabafar’ comigo mesma”. A estudante conta ter tido problemas de ansiedade nos momentos em que não pôde praticar a arte que tanto ama.

A história de Nayara não é muito diferente. Graduanda em Pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP), a jovem (também de 18 anos) está ligada ao mundo da dança desde os três anos de idade, com aulas de jazz e sapateado. Viu na dança uma oportunidade de se conectar consigo, e viver a vida com mais leveza e alegria.

Falando sobre os benefícios da dança em seu corpo físico, Nayara diz que ela sempre ajudou-a a queimar calorias, manter o condicionamento e ser mais flexível. De maneira muito parecida com Isabela, parar de dançar a deixou com sequelas físicas e emocionais. “Senti a diferença no meu corpo, que ficou mais indisposto (tive mais dores, meu condicionamento piorou…) e no meu comportamento, pois ainda não conseguia encontrar nenhuma outra arte ou esporte que me proporcionasse tanto prazer e satisfação quanto a dança”, conta.

A dança beneficia a autoestima

Os padrões de beleza são impostos duramente às meninas, principalmente às adolescentes, sendo muitos deles ligados ao “corpo ideal”: barriga chapada e bumbum definido. Isto é o principal agravante na baixa autoestima dessas garotas, que aos poucos começam a sentir vergonha do seu corpo tornando-se pessoas tímidas.

Isabela e Nayara trouxeram ambas um ponto muito interessante: a dança, em qualquer forma que seja, beneficia a autoestima. Já Bruna Serrano, bailarina, atriz de teatro e teatro musical e sobrinha da proprietária do Studio Clayds Zwing, segue na mesma pegada: de acordo com ela, dançar a ajudou a quebrar todas as barreiras da timidez: “antes da dança eu tinha muita vergonha de tudo, não gostava de falar em lugares públicos e era muito tímida”.

Pintura de duas jovens bailarinas se apoiando em uma barra.
” Bailarinas praticando Az na Barra”, de Francisco Panachão.

A dança pode ser uma manifestação político-cultural: o street dance

O conceito de street dance (“dança de rua”, em uma tradução livre) surgiu na década de 1930 nos Estados Unidos. Em meio à Crise de 1929, músicos e dançarinos desempregados realizavam suas performances no meio da rua. Em décadas seguintes, o movimento se popularizou na periferia afro-americana, que utilizou as danças (e de outros elementos, como o grafite, o rap e o hip-hop) como formas de crítica e denúncia social por suas condições de vida.

No Brasil, o movimento surge em 1986, em São Paulo, com jovens se reunindo principalmente na Galeria do Rock e na estação de Metrô São Bento para ouvir as novas músicas vindas dos Estados Unidos (especialmente de Nova Iorque) e praticar os novos passos de dança.

Nos dias de hoje, o street dance (e a cultura hip-hop como um todo) segue como forte expoente da cultura negra, que encontra nesses ritmos uma oportunidade de ter sua voz ouvida, e sua identidade cultural em meio a uma sociedade racista.

Dentro dos passos, o street dance se diferencia pela movimentação forte e enérgica dos braços e pernas, além de acrobacias, como saltos mortais.

Homem afro-descendente dança em um evento de street dance.
O street dance é um marco da cultura afro-descendente no Brasil. Foto do Wikimedia Commons.

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