Adequação x conforto: seus viés de produtividade

Entenda como um ambiente de trabalho liberal ou conservador pode influenciar seus funcionários e o rumo que o mercado de trabalho está tomando em relação a este e outros tabus

Aperto de mão entre duas pessoas, uma com tatuagem na mão e outra sem
Aperto de mão entre duas pessoas, uma com tatuagem na mão e outra sem.

As roupas de uma advogada influenciam em sua capacidade de argumentar? As tatuagens de um diretor dizem algo sobre a sua competência no mercado de trabalho? O cabelo de um médico interfere em seus diagnósticos para pacientes? E o peso de uma funcionária? É motivo para solicitar uma mudança? 

Questões como essas vêm sendo cada vez mais abordadas, ou evitadas, pelo mercado de trabalho. Em primeiro lugar, o motivo para esses questionamentos pode ser a troca de gerações que os cargos estão enfrentando ou a necessidade de se adaptar a novos valores. 

Certamente, muitas empresas já adotaram a valorização do funcionário pela sua capacidade e produtividade, mas outras continuam dando importância para antigos valores do ambiente de trabalho. Para entendermos melhor sobre o assunto, a factual900 foi atrás de pessoas com experiências diferentes em relação a isso. 

Mundo corporativo 

Lucilene Machado, bancária de 36 anos, já teve a oportunidade de trabalhar em bancos como HSBC, Citibank e Santander. Atualmente presta serviço para o Banco Original.

Ao ser questionada sobre o padrão estético comum no ambiente financeiro, ela afirma que:

“Nesse ambiente é exigido certo tipo de vestimenta. Se a pessoa possuir algum tipo de tatuagem aparente, o ideal é cobrir. Isso evita qualquer julgamento dada a seriedade que o trabalho representa”. 

A bancária ainda disse que “quanto mais séria for sua aparência, inclusive com opções de roupas, mais respeito se adquire”. Além disso, relatou que no começo de sua carreira recebeu, em seu primeiro dia de emprego, uma recomendação de sua superior alegando que suas roupas eram simples demais para o cargo. 

É possível ver toda essa cobrança se repetindo principalmente na área da saúde, da educação e do direito. A principal desculpa é o contato direto com o público.

Apesar de tudo isso, Lucilene acha que sua área “já” está se adaptando, aos poucos, aos novos costumes corporativos, “quanto às mudanças, acredito que a aceitação por parte das empresas seja uma questão de tempo para se adaptarem.”

Na educação

A professora Maria* leciona física para estudantes do Colégio Nossa Senhora Aparecida na região da Vila Prudente. Ao contar um pouco sobre suas experiências na escola, a educadora comentou que passou por algumas situações desagradáveis por conta de sua aparência. 

Negra e com cabelo afro, ela aparentemente escapa dos padrões rígidos exigidos pelo colégio. Dessa vez, diferente do caso anterior, a “desculpa” são as crianças e a religião. Posteriormente, a docente ainda contou que já ouviu das próprias freiras que “não deveria usar mais piercing no nariz, pois seu cabelo já chamava atenção o suficiente”.

Empresas mais modernas

Apesar de algumas empresas ainda possuírem essa visão sobre a conduta de seus funcionários, a mudança em corporações fundadas recentemente é perceptível , ou até mesmo nas que estão dispostas a andar em conjunto com o meio atual, como é o caso da NuBank, onde atua o estagiário Gustavo Caetano.

Ele relata diversas histórias sobre como o banco, fundado em 2013, trata os padrões de trabalho, visual e de conduta dentro da empresa. Além do mais, o funcionário conta que o banco é repleto de jovens dos mais variados estilos de ser e de agir. 

Em suma, Gustavo diz que o NuBank é muito liberal quanto às roupas dos funcionários. Ao contrário dos bancos mais antigos, esse permite que os trabalhadores usem bermuda, saia, shorts ou o que for confortável. Além disso, o ambiente de trabalho é despojado e colorido, trazendo uma visão diferenciada das demais instituições financeiras.

Assim como no trabalho de Gustavo, empresas como o Google, Facebook, Movile, a farmacêutica Medley e outras estão adotando uma forma de trabalho mais informal e liberal. Ou seja, isso não afeta apenas a maneira de agir do funcionário, mas também aumenta muito o rendimento e a produtividade de cada um.

Tendências do mercado

Um estudo realizado em 2018 pela UCLA (Universidade da Califórnia, EUA), constatou que funcionários felizes produzem 31%  melhor, são três vezes mais criativos e vendem 37% a mais em comparação com outros.

Concluindo, essa percepção justifica e incentiva cada vez mais essa crescente mudança no olhar sobre o comportamento corporativo e as exigências estabelecidas, resultando na progressiva quebra de tabus no mercado de trabalho. 

* Identidade preservada a pedido da fonte.

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