A influência da pirataria no streaming

Estudos mostram que Netflix e outros serviços se inspiraram em antecessores ilegais. Preço é apontado como o caminho para o crescimento dos serviços dentro da lei

Por Boris Bellini, Caroline Santini, Isadora Moraes e Marcelo Roubicek

O modelo de negócios dos serviços de streaming é sustentado sobre pilares da pirataria. Pelo menos é o que disse um estudo publicado pela revista Campos, em 2017.

A autora do estudo, Andressa Nunes Soilo, argumenta que o surgimento do Napster – programa de download gratuito (e ilegal) de música – reconfigurou o mercado do entretenimento. Isso teria estimulado a procura por produtos artísticos de baixo ou nenhum custo.

“As relações entre entretenimento e propriedade intelectual se perceberam, nas últimas décadas, reféns das reivindicações e desejos das gerações que sucederam e experienciaram o Napster. Gerações essas que acabaram por pressionar o mercado regularizado a harmonizar elementos como baixo custo ao consumidor, lucro e legalidade”, escreveu a autora.

A pesquisadora aponta que empresas legais e ilegais acabam competindo entre si. É o que ocorre entre Netflix e Popcorn Time, um dos principais aplicativos do mercado pirata.

Essa concorrência – e consequente proximidade – entre os dois serviços fica clara quando se compara as interfaces de ambos:

Interface do Popcorn Time
Interface da Netflix

A Netflix e o modelo pirata

O estudo destaca quatro serviços que beberam da fonte pirata: Spotify, Deezer, Netflix e Amazon.

Mas o professor Marco Vale, do curso de Rádio, TV e Internet da Faculdade Cásper Líbero, afirma que o modelo de negócio das empresas de streaming enfrenta melhor a pirataria do que o anterior, dos DVDs e VHS. “As mídias físicas eram mais frágeis, você fazia cópias de filmes que ainda não chegaram ou de filmes que ainda não tinham sido lançados oficialmente”, diz.

Outro ponto importante destacado pelo professor é o preço oferecido aos consumidores. Afinal, em uma plataforma como a Netflix, salta aos olhos a quantidade de filmes a um preço razoavelmente baixo. “Você paga por um mês de assinatura o valor que antigamente equivalia ao aluguel de dois filmes. Isso deve tornar a pirataria menos interessante para o público”, diz Vale.

Mas há também desvantagens. Vale aponta que o formato das empresas de streaming acaba sendo incompatível com as demandas de parcelas do público. Ele diz que “há pouquíssimos clássicos na Netflix e são sempre os mesmos. Neste sentido, a pirataria acontece de forma mais acentuada.” Ou seja, quem procura por filmes de menor interesse do grande público não consegue recorrer às plataformas legais.

A pesquisadora Andressa Nunes Soilo seguia a mesma linha ao abordar o assunto em seu artigo. Ela lembra que “o próprio co-fundador e CEO da Netflix, Reed Hastings, se manifestou dizendo que a seleção da programação de seu serviço é baseada, entre outros fatores, na popularidade dos downloads piratas, já que estes indicariam quais produções são vantajosas em investir e integrar em seu catálogo”.

O cenário atual do streaming

Se a Netflix inaugurou a era dos streamings legais de filmes e séries, a concorrência parece finalmente ter acompanhado. Empresas como HBO e Disney já lançaram seus serviços, bebendo da mesma fonte que a pioneira. E os números já chegam a ser superiores aos da Netflix.

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