Feminejo: a ascensão das mulheres na música popular

Nos últimos anos, vimos uma transformação no cenário musical do sertanejo. Uma nova vertente foi criada para acolher estas mulheres. Bem vindos ao Feminejo

Foto: Divulgação/ DVD Roberta Miranda

” Você tem que aceitar que elas vieram pra ficar”

O clipe “Loka” de Simone & Simaria com participação de Anitta acumula mais de 600 milhões de visualizações no Youtube e “Medo Bobo” da Maiara & Maraísa mais de 500 milhões. Já Marília Mendonça é a brasileira com mais visualizações, acumulando cerca de 6 bilhões. Juntas, elas têm 37 milhões de seguidores no Instagram. Este é o poder do feminejo.

Nomes como Marília Mendonça, Maiara & Maraísa, Simone & Simaria, Naiara Azevedo, Paula Mattos, Yasmim Santos e Day & Lara ganharam destaque por representar a nova fase do sertanejo. As canções se transformaram. Agora no feminejo, a mulher vai para o bar, curte com suas amigas, se arruma para si própria, larga o namorado para ir em festas e, é claro, também sofre por amor. Cantando temas típicos do universo feminino, essas cantoras se tornaram porta-vozes da mulher contemporânea.

Não apenas nas redes sociais as mulheres dominam. Elas fazem por média 25 shows por mês e recebem cerca de 330 mil reais por show. No ano de 2019, Simone & Simaria foram as embaixadoras da festa de peão de boiadeiro de Barretos, posto ocupado apenas por homens desde sua criação.

“Eu não vou deixar de ser sua amiga por causa de um qualquer que não respeita uma mulher”

Em entrevista recente à Rolling Stone Country, Yasmin Santos, cantora do hit “Saudade Nível Hard”, afirmou que as mulheres presentes no sertanejo são extremamente unidas e que há um apoio mútuo. Embora muitas pessoas ainda possam acreditar que exista uma rixa entre as mulheres cantoras, elas estão fortalecendo o poder feminino em um ambiente que antes era predominantemente masculino. “É uma mulherada muito unida. As pessoas tentam criar uma rixa, mas somos muito unidas”, contou.

Há grandes nomes na história do sertanejo, contudo, sempre foi um ambiente machista. Em entrevista à Folha de São Paulo, Naiara Azevedo e Maraísa contam um pouco o que tiveram de escutar na carreira. “Ouvi que mulher no sertanejo não ia virar em nada, que era para eu desistir” conta Naiara. “As pessoas falavam que quem menstrua não faz sucesso” diz Maraísa

Em muitas letras, inclusive em clássicos do sertanejo, é possível encontrar relatos machistas em que a mulher é retratada como submissa ao homem, idealizada como virgem, recatada como na música “Meu sonho de Amor” de Lourenço & Lorival. Podemos citar, também, até feminicídio presente na letra de ”Cabocla Tereza” de Tonico & Tinoco, uma das músicas de maior sucesso no ano de seu lançamento. Mas claro, não podemos generalizar o gênero musical por algumas letras.

“Depois decidimos o final, espero que seja um final feliz

O machismo era marca do sertanejo também porque o Brasil rural sempre valorizou a figura do machão. O ritmo, que existe há quase um século, já passou por duas fases: O sertanejo raiz, descrevendo a vida bucólica do caipira do interior e a segunda, responsável pela ampliação do romantismo onde acontece a proliferação do ritmo em todo país. Mas onde as mulheres eramos inseridas nesse contexto? Foi apenas na terceira fase denominada “Sertanejo universitário” que as mulheres começam a ter uma presença mais marcante no universo e o feminejo, a nova vertente do ritmo, foi criado.

 Ainda que o cenário sertanejo tenha sido  durante muito tempo dominados por homens, as mulheres estão presentes no sertanejo desde 1939. Como não lembrar das vozes da dupla Irmãs Galvão responsáveis pela música “Beijinho Doce”?  Elas foram as pioneiras no estilo. Outros nomes como Inezita Barroso, Luhli & Lucina, Irmãs Castro também fazem parte desta história. Foi apenas em 1986, que pela primeira vez uma mulher vendeu mais de um milhão e meio de discos vendidos. Roberta Miranda, é conhecida com a “Rainha do Sertanejo”, e, ao longo de sua carreira, emplacou grandes sucessos como “Majestade Sabiá” e “Sol da Minha Vida”.

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