Famílias contemporâneas: rumo à diversidade

A sociedade está mudando, e com ela as organizações familiares. O conceito de família tem estado cada vez mais diversificado. Os laços formados pelas pessoas geraram novas formas de convivência consideradas fora do padrão, seja entre indivíduos do mesmo sexo, pais que desempenham o papel de mães e vice-versa, apenas pai ou mãe (monoparental), entre outros. Esses modelos compõe o que se conhece como famílias contemporâneas.

De acordo com dados do censo de 2010 do IBGE, a organização tradicional totaliza 49,9% dos domicílios brasileiros, enquanto os outros modelos representam 50,1%. Com essas mudanças no que se entende por família, algumas empresas saíram na frente. Essas olharam com atenção, percebendo esse movimento de maior destaque às famílias contemporâneas no mercado de consumo. 

As agências de publicidade e propaganda têm que se adaptar cada vez mais ao mercado consumidor. Um exemplo é a companhia aérea Gol que, no ano passado, comemorou o Dias das Mães com diversos comerciais que mostravam famílias alternativas  felizes. Em um deles, um casal homossexual comenta o “papel da mãe” e em outro uma mãe solteira faz o papel de pai e mãe.

Do mesmo modo, outro exemplo para analisarmos são as propagandas dos dias das mães e dos pais da “O Boticário”. De uns anos para cá, a marca percebeu a necessidade de incluir mais de um tipo de organização parental. Portanto, por trás de uma aparente bondade e inclusão se esconde uma estratégia mercadológica para aumentar as vendas e a visibilidade. Dada a polêmica decorrente desse tipo de ação publicitária. 

Porém, para entendermos qual tipo de organização parental vivemos atualmente, precisamos entender qual a organização ideológica familiar que nos molda durante séculos, o patriarcalismo.

Origem da organização familiar

O patriarcalismo tem como definição ideológica a supremacia do homem nas relações sociais. A primeira vez que esse termo foi utilizado para descrever a preponderância do homem na organização social foi pelos hebreus. O propósito desse termo era de qualificação do líder de uma sociedade judaica.

Agora se olharmos os grego helenísticos, percebemos que eles também já faziam menção a palavra “patriarcalismo”. Na Grécia as mulheres eram entendidas como objetos de satisfação masculina e julgadas como inferiores.

A lógica patriarcalista estabeleceu o poder dos homens diante de seus familiares, empregados ou até mesmo nos aspectos políticos de sua nação. Assim, mulheres e crianças passam a dever obediência à imagem do homem dominante.

O patriarcalismo influenciou diversos outros povos, do ocidente e do oriente médio, incluindo o Brasil. De todo modo, essa organização ainda está no subconsciente das sociedades, influenciando de forma direta as atuais organizações familiares.

Vale entender também:

Modelo familiar tradicional

Modelo de família patriarcal. Family Portrait, do artista sírio-palestino Yasser Abu Hamed.

O modelo tradicional de família é o originado por um casal heteronormativo, um homem e uma mulher, que possui um ou mais filhos. Esse é um modelo que resiste como “padrão” até hoje na visão de muitas pessoas.

Olhando para o lado econômico, a família tradicional perante os olhos de nossa sociedade patriarcal, o “homem da casa” teria o objetivo de sair para trabalhar e sustentar sua família financeiramente, enquanto sua companheira fica em casa cuidando dos filhos e afazeres domésticos.

Essa concepção tradicional de família é oriunda da biologia, uma vez que essa define, de certa forma, por meio de características naturais o que é um pai é o que uma mãe. Também define que apenas um pai (macho) e uma mãe (fêmea) são capazes de gerar um filho, sendo assim a única concepção de família possível na visão biológica.

Entretanto, os casais homoafetivos estão presentes na sociedade, assim como pessoas que criam seus filhos sozinhas e também possuem o direito de possuir uma família, é direito de todo ser humano.  

O número de famílias compostas por casais com filhos apresentou queda de 2005 a 2015, segundo o IBGE. Ao início desse período, 50,15 das famílias eram compostas por esse núcleo, dez anos depois esse número atingiu 42,3%.

Dessa forma, a visão tradicional biológica acaba não traduzindo a realidade dos domicílios brasileiros, fazendo com que o termo “família” seja alvo de discussão e esteja em constante formação.

Modelos de famílias contemporâneas

Diferentes variações de famílias contemporâneas. Foto: Divulgação/PT

As famílias compostas por dois pais, duas mães, duas mães e um pai, dois pais e uma mãe, entre outras organizações, são as chamadas famílias “alternativas”. Antigamente, era inaceitável esse tipo de configuração familiar “fora da curva”. Só eram vistas com bons olhos pela comunidade as famílias formadas por um homem e uma mulher em matrimônio, com filhos e provida financeiramente pelo chefe da casa.

O modo como as pessoas vivem mudou, e isso resultou em novas formas de convivência. Hoje em dia é realmente impossível ignorar os variáveis tipos organizacionais familiares. Segundo dados do censo de 2010 do IBGE, o número famílias compostas por laços de parentesco diferentes do tradicional de uma família- pai, mãe e filhos- chegou aos incríveis 28,647 milhões.

Contudo, ainda existe uma ignorância por parte de alguns sujeitos conservadores, resultando em mortes por homofobia. Segundo o Grupo Gay da Bahia, o Brasil registrou, de janeiro a maio deste ano, 141 assassinatos de pessoas LGBT+, o que representa uma morte em cada 23 horas que se passam. Ou seja, ainda que as vozes não sejam caladas e alguns ouvidos estejam dispostos a ouvi-las, ainda não é fácil viver o amor irrestritamente no Brasil.

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