Entrevistas: Giovana Pinheiro, do Olimpíada Todo Dia; e Aline Silva, atleta de wrestling (luta olímpica)

A Factual900 entrevistou a jornalista Giovana Pinheiro, do Olimpíada Todo Dia, e a atleta do Sesi-SP Aline Silva, do wrestling, já classificada para as Olimpíadas de Tóquio. As duas conversaram com a nossa equipe sobre a rotina de preparação e treinamento dos atletas que irão competir ano que vem no Japão. 

Em março, em Ottawa, no Canadá, Aline conquistou sua vaga para Tóquio 2020. A lutadora carimbou o passaporte após chegar na final da Seletiva Olímpica Pan-Americana, derrotando grandes nomes do esporte, como a cubana Milaymis Marín – medalhista de ouro no Mundial Juvenil de Luta – e a Colombiana Andrea Olaya – medalhista de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Lima no ano passado. 

Ao chegar de volta ao Brasil, Aline se deparou com uma situação de calamidade e caos promovida pela chegada do novo coronavírus e o crescimento constante no número de casos de Covid-19. “Cheguei (do Canadá) no fechamento total de São Paulo. Em um primeiro momento, fiquei sem fazer nada, sem ir à academia”, explicou Aline, que também nos contou como deveriam ser os próximos meses antecedendo os jogos: “Eu tinha acabado de classificar e, normalmente, depois de se classificar tem uma pequena baixa de treinos, porque as Olimpíadas já estavam ali, praticamente. Eu também já tinha outras competições planejadas antes da Olimpíada”.

Com o adiamento dos jogos confirmado em 24 de março, Aline começou a replanejar seus treinos e teve que ficar um tempo sem treinar: “Eu fiquei mais de um mês parada e  quando eu voltei, eu já voltei em academia”. A atleta nos contou que não chegou a praticar em casa, pois não teria muito espaço em seu apartamento para fazer seus treinamentos. Apesar de estar se exercitando desde abril, Aline ainda não voltou a lutar: “Desde quando eu retornei aos treinos, só voltei a fazer musculação. Desde março eu não faço luta”. Ela explicou que esta foi uma opção pessoal, pois não se sentia segura em praticar sozinha um esporte de tanto contato, como a luta olímpica. Apesar de sua escolha, Aline reconhece que muitas atletas do wrestling voltaram a treinar já há um tempo: “Eu não voltei por uma opção, porque eu não me sinto segura. Não só comigo, mas também em transmitir para as pessoas, então decidi, realmente, manter só a musculação até que eu me sentisse segura para voltar, porque o wrestling é muito contato, né?”. Aline ainda não tem nenhuma data oficial para retomar os treinos com luta, mas ela acredita que em novembro ela já deve retornar. 

Apesar de todas as adversidades que o ciclo olímpico sofreu, Aline diz que se mantém confiante para a sua segunda olimpíada [a primeira foi a Rio 2016]: “A questão de confiança é um estado mental que atleta de nível olímpico acaba tendo, porque se você não tiver uma certa estabilidade na sua confiança é um pouco complicado”.

Apesar de todo o treinamento adaptado que atletas, como a Aline, estão fazendo visando as Olimpíadas no ano que vem, ainda não é certo se a data será de fato mantida. Giovana, jornalista que vem acompanhando os bastidores das Olimpíadas, nos disse que tem uma visão otimista quanto à realização do evento, mas que ainda há muitas dúvidas no ar: “Ainda existem algumas perguntas de como será, mas hoje a gente vê um cenário bem mais otimista do que já foi. São muitas incógnitas ainda”. Alguns dos pontos de interrogação que pairam no ar são a respeito de presença de público, imprensa, como será a vida na Vila Olímpica e, é claro, se realmente o evento acontecerá como planejado. 

Giovana também nos contou que, por conta de cada país se comportar de um jeito na pandemia e de cada atleta adaptar seus treinos da forma que melhor lhe convém, o desempenho nas Olimpíadas se torna ainda mais difícil de prever: “Vai ser um pouco imprevisível o resultado, porque cada país voltou (aos treinos) de um jeito, lidou com a situação de um jeito […] Aline, por exemplo, estava com a vaga, mas tem muito atleta que ainda não está com a vaga. Tem essa questão de voltar calendário, para os atletas conseguirem buscar a vaga, mas eu acho que as coisas estão voltando”. 

Aline disse querer que os jogos aconteçam independentemente da presença de público ou de qualquer medida que o Comitê Olímpico Internacional adote: “Já ouvi uma pessoa falando: ‘Não faz sentido algum fazer olimpíada sem plateia, por que é meio que é esse o objetivo do show do esporte, da capacidade humana’. E faz sentido […] Pensando no meu lado atleta, eu, que posso estar em um dos meus últimos ciclos (olímpicos), seria um desrespeito com os atletas que se prepararam por quatro anos da sua vida […] “Se der para participar sem plateia e transmitir via televisão e deixar a gente fazer o que a gente dedicou a vida por quatro anos para fazer, que seja assim”.

Siga-nos nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *