Imagem com pessoas tingindo o cabelo de uma cliente. Nessa imagem, as funcionárias estão de máscara sob um anel de luz.

Distanciamento da beleza: a volta dos salões e a mudança nos hábitos

Barulho de secadores, barbas feitas, cabelos cortados e unhas pintadas – Além das costumeiras fofocas, tão conhecidas que ambientam os salões de beleza – entraram em um período de paralisação desde o dia 17 de março, com a chegada da pandemia da pandemia de Covid-19 no Brasil. Assim permaneceram os salões por quase quatro meses por determinação do governo. Contudo, locais de embelezamento vêm retomando suas atividades de forma gradual desde a flexibilização das medidas de isolamento social no estado de São Paulo. Nesse momento, estes estabelecimentos têm de se adequar a esse “novo normal” em que vivemos, seguindo os rígidos protocolos sanitários.

Os profissionais da beleza estão entre os trabalhadores mais impactados pela pandemia da Covid-19. Por todo o país, salões de beleza fecharam suas portas por mais de 100 dias, e os profissionais viram suas fontes de renda se esvaecerem de um dia para o outro.

De acordo com uma pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) sobre o impacto da pandemia nos pequenos negócios, a queda média de faturamento em salões de beleza, barbearias e estúdios de maquiagem nesse intermédio chegou a 57%. Esse dado mostra a enorme perda que os donos e funcionários dos salões tiveram que enfrentar em meio a atual crise econômica, e que levou a diversos institutos de beleza a fecharem suas portas. 

A experiência com os salões

O salão Luiz Coiffeur, que atua em Santos, São Paulo, há 36 anos, está entre os estabelecimentos que se mantiveram fechados nesse período. “Manter o salão fechado foi bem complicado”, diz Fernanda Paiva, que é filha do fundador e trabalha no local. Uma das maiores preocupações delineadas enquanto o espaço estava fora de operação foi de ordem financeira: “nós temos funcionárias registradas e temos as meninas que são autônomas, então a gente se preocupou, no geral. Ainda tinham as contas do salão [para pagar], então foi bem complicado.”

Subindo a serra rumo à Grande São Paulo, o cenário não é muito diferente. Segundo o Diário do Grande ABC, no período de 3 meses, mais de 880 estabelecimentos encerraram as atividades na região; os maiores registros foram em São Bernardo do Campo e Santo André. Mas um salão de beleza escapou dessas estatísticas; Shiro Cabeleireiros, localizado no município de Santo André, é um dos locais que sobreviveram à pandemia na região – e que se adequaram a essa nova realidade.

Voltando aos salões depois do isolamento

Imagem apresentando uma pessoa de cabelos longos em frente à um salão de cabeleireiro, utilizando uma máscara.
Murillo La Fonte Albuquerque de Carvalho, cliente da Shiro Cabeleireiros. Fonte: Reprodução/Arquivo Pessoal

Os irmãos Murillo La Fonte Albuquerque de Carvalho (18) e Lucca La Fonte Albuquerque de Carvalho (23) são moradores de Santo André e frequentadores antigos do local. Em entrevista, eles revelaram como foi esse período sem poderem contar com os profissionais do salão e como está sendo o retorno após a flexibilização.

‘‘Eu estava com medo de sair. Fiquei em isolamento total de março até agosto e depois saí pouquíssimas vezes’’, disse Murillo. ‘‘Mas, em setembro, decidi que queria fazer um corte de franja. Eu precisei marcar horário e chegando no salão todos estavam de máscaras e haviam apenas mais duas clientes. Nós tivemos que passar álcool em gel e havia o máximo de cuidado para que não fizessemos qualquer contato desnecessário’’.

Na fala de Murillo, fica nítida a preocupação para que com os cuidados necessários. ‘‘Dava para perceber que todos estavam preocupados em manter a distância, evitavam falar para não molhar a máscara. No geral foi uma experiência muito legal’’.

Contudo, Lucca retratou momentos de maior descuido com o distanciamento. ‘‘Eu não achei que o salão estava tão vazio quanto deveria estar. Tinham várias pessoas fazendo unha, o que é bem comum, e não havia tanto espaço entre elas’’. Assim, Lucca citou algumas ideias que os profissionais pudessem seguir para melhor se habituarem a este momento. ‘‘Acho que seria legal se os cabeleireiros estivessem de luvas, o que não aconteceu dessa vez. Na hora do pagamento, também poderiam ter tomado mais cuidado, o ideal seria que eu não precisasse encostar na máquina e apenas inserisse o cartão.’’

Mudanças de hábito: vieram pra ficar?

Partindo do ponto de vista dos salões, o espaço Luiz Coiffeur relatou algumas das mudanças que foram feitas. Estas procuravam melhorar o atendimento à seus clientes e também abrigar seus profissionais em momentos de tanta incerteza e certo abalo. ‘‘As cadeiras foram distanciadas umas das outras, nós colocamos álcool em gel na entrada e divisórias de acrílico entre os lavatórios, que não poderiam ser movidos, para afastar uma cliente da outra’’.

Observando o estado das clientes mais abatidas pelo efeito da pandemia e o propósito de um salão de beleza, Fernanda comenta o efeito que ir àquele espaço tem nas mulheres. ‘‘Por trabalhar nessa área, nós não pudemos perder a energia boa para que as clientes saíssem daqui mais felizes do que entravam, então nós nos mantivemos com alto astral para as renovar’’. Esse mesmo cuidado valia para as funcionárias: ‘‘Nós também mudamos nossa sala de cabeleireiros, a deixando mais bonita e moderna, o que, acredito eu, deu uma renovada nos profissionais e os deu mais ânimo para trabalhar no nosso espaço’’.

Imagem mostrando uma pessoa tendo seus cabelos cortados por outra como em salões, com um pente na mão e uma tesoura.
Fonte: Reprodução/Instagram

Atualmente, estamos confinados há mais de 8 meses. Nesse momento, o maior desafio dos estabelecimentos de beleza é demonstrar que o ambiente foi reaberto sob condições de higiene e desinfecção. Porém, já se espera que a situação volte ao “normal” (pois a mudança de hábitos, em certas partes, chegou pra ficar) quando houver uma vacina para a Covid-19.

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