Crise editorial: Livraria Saraiva

A crise editorial abalou as estruturas da Livraria Saraiva. No dia 29 de agosto de 2019, os credores da Saraiva aprovaram o plano de recuperação judicial da empresa. Foi necessário fechar mais de 20 lojas devida a crise financeira que passava a rede de varejo a qual mais vende livros no país.

No final de junho, a livraria corria sérios riscos de fechar suas portas e ir a falência. O jornalista Thales Guaracy, que foi diretor editorial da Saraiva e editor sênior de O Estado de S.Paulo, afirmou: “A Saraiva deveu seu sucesso à megastore, um modelo que fazia sentido na época, baseado especialmente no da FNAC, na França. Incluía vender aparelhos eletrônicos, de maior valor agregado, e outros produtos culturais, como DVDs e CDs.[….] A margem dos eletrônicos era baixa e não havia competitividade nesse segmento com lojas especialistas. Assim, a margem das megastores acabou ficando muito baixa. Apesar do crescimento da sua operação digital, a redução do peso do livro no mix da Saraiva deixava a empresa com margem de 5%, pouco para uma empresa aberta. Livrarias menores, com custo mais baixo, e que vendiam mais livros que qualquer outra coisa, não tiveram os mesmos problemas […]. A Saraiva precisava, portanto, de uma reestruturação”.

Legenda: o fenômeno da MegaStore, um dos motivos da crise editorial na Livraria Saraiva (foto: wikimedia commons/wikipedia)

Sua dívida chegava a ser mais que 684 milhões de reais. A história da livraria que começou pequena e destinada ao comércio de livros usados no Largo do Ouvidor submeteu-se às imposições do grupo de credores. Teve de concordar com o afastamento da família fundadora da gestão do negócio, além de outros compromissos administrativos que se prontificou a cumprir.

O ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo Político e de 12 prêmios Abril de Jornalismo adicionou ainda que “ a Livraria Saraiva foi prejudicada pela crise editorial, mas sempre foi eficiente na pontocom e tinha a editora, que sempre foi muito rentável. Ao vender a editora para reduzir o endividamento geral do grupo, porém, ficou sem seu principal caixa. Tinha de reestruturar a rede de lojas rápido, para fazer a livraria passar a gerar mais caixa por conta própria. Não é um processo fácil. Ainda mais num cenário em que entram concorrentes poderoso, como a Amazon, que direcionam as vendas totalmente para o meio digital, com bastante eficiência”.

A grande editora emitiu uma nota dizendo que foram mudanças urgentes para a readaptação no mercado. Mudanças no portfólio dos produtos, reformas na estrutura interna, alterações nas plataformas digitais. Modificações que são vistas com bons olhos para o futuro da livraria centenária.

A antiga “Livraria Acadêmica”, a qual começou a ser reconhecida pelos professores e estudantes de direito devido comércio de livros jurídicos, começou a crescer e formar uma rede de lojas na década de 70. A partir daí, cresce também o número de títulos publicados, possibilita um serviço próprio de distribuição de livros da Livraria Saraiva nos anos 80 e amplia seu potencial de atuação no mercado editorial nas décadas de 1990 e 2000.  

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