Crise editorial: um olhar geral

A crise nas livrarias e quais caminhos a se seguir

Pedidos de falência e marcas de renome em processo de recuperação judicial, como o caso da Fnac, da Livraria Cultura, da Laselva e da Saraiva colocam uma interrogação em relação futuro desse segmento de mercado e deixa dúvidas em relação a esse prospecto, mas que não necessariamente deve ser visto de forma negativa, a entrada do conglomerado da Amazon no Brasil, por exemplo, mostra que as pessoas ainda se interessam por livros, e talvez a saída encontrada para as empresas citadas seja se relacionar mais com o mundo digital.

Para Bernardo Gurbanov, presidente da Associação nacional de livrarias, “isso é uma crise que não tem um único motivo, que o que ocorre é que nos últimos 10 anos houve mudanças radicais na forma de consumo, nos modelos que tradicionalmente foram vitoriosos na década de 80 e 90 começaram a entrar em colapso em função da migração do leitor para o mundo digital e inclui também o consumo de livros físicos, não somente livros eletrônicos, então essas mega livrarias, que eram grandes sucessos, por ter inúmeras atrações para que o cliente permanecesse mais tempo dentro da superfície física do estabelecimento, e consequentemente aumentasse seu consumo, isto, que deu certo durante muito tempo começou a naufragar, e as pessoas começaram a selecionar e pesquisar de outra forma os livros”.

Essa outra forma de selecionar e pesquisar os livros se trata dos ambientes digitais, pelo e-commerce, que a partir da última década se intensificaram, em pesquisa feita pela Visa Consulting & Analytics sobre os dados de compras em livrarias e mostrou que no período de 2016/2017 os espaços físicos representaram uma queda de 9,6% no faturamento, enquanto o setor e-commerce registrou 10,4% de aumento, além disso, no final de 2017 esse segmento já representa 27% no varejo de livros em geral.

A partir desses dados, não podemos deixar de citar o provável maior responsável por esse aumento, se trata da gigante americana Amazon, criadora do Kindle, que por aqui não fez muito sucesso, verdade, mas somente em sua chegada no mercado brasileiro em 2015 trouxe mais de 150 mil títulos para venda. No começo desse ano, abriu seu leque e se tornou uma Market place, trouxe seu serviço de streaming, o Amazon Prime, e se tornou competitiva, batendo de frente com as outras empresas que entraram anteriormente no mercado nacional.

Centro de distribuição da Amazon no Brasil,

Então isso colocou em xeque esse modelo, mesmo por que ele trazia uma curadoria um pouco fraca no sentido de adotar estratégias de vendas mais voltadas para o consumo rápido do que para a missão civilizatória e cultural que tem em uma livraria.” Completou Bernardo, respondendo o porquê de livrarias estarem falindo.

Um exemplo positivo vindo de fora que se relaciona com a fala de Bernardo é vista na capital argentina, em Buenos Aires. A El Ateneo, considerada pela National Geographic a livraria mais bonita do mundo, foi construída em um teatro desocupado, e se tornou um dos pontos mais badalados na cidade portenha, não só por ter se tornado um ponto turístico, mas também por que conseguiu fidelizar seus clientes, e a loja sempre está cheia.

Imagem do interior da Livraria El Ateneo.

A entrada de conglomerados multimilionários e a conservação de uma livraria na américa do sul, não existe uma fórmula especifica sobre qual o modelo de negócio é o certo, porém, são exemplos de administração positivos e que com certeza devem ser levados em conta sobre quais caminhos o mercado editorial deve seguir para continuar existindo.

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