Como funciona a mente de um fanático?

Por Enrico Malizia, Felipe Toniolo, Guilherme Mello e Gustavo Baldassare.

Fanáticos são pessoas que defendem suas causas com mais fervor que a própria vida. Aquele que fica impossibilitado de ouvir argumentos diferentes do seu, que aliás, não são vistos como diferentes, e sim como errados.

Em suma, se torna concebido como fanatismo um estado psíquico de adoração cega, seja à uma figura, causa ou movimento. Saiba como funciona a mente de um fanático.

Teoria Psicanalista Freudiana ajudando a entender o fanatismo:

Segundo a teoria psicanalista de Sigmund Freud, o inconsciente do ser humano é divido em três partes: o id, o superego e o ego. O id representa o desejo e posteriormente a satisfação de necessidades primárias, como alimento e sexo. O superego é o aspecto moral da personalidade do ser, além de “armazenar” todos os valores sociais de família, cultura, etc. E o ego mantém a harmonia entre o id e o superego.

imagem da teoria Freudiana do ego, superego e id

Portanto, na perspectiva Freudiana, um sujeito fanático é quem entrega o seu superego à pessoa, objeto ou causa idealizada.

Além disso, a partir de uma entrevista com Cida Teixeira, psicóloga formada e ativa na profissão, foi apresentada a tese de Freud, olhada por uma profissional da área. A partir do conceito Freudiano, Cida vê esse processo como uma situação compensatória, quando se coloca o id, os nossos instintos também estão em jogo. Não existe reflexão ou total consciência. O superego, resumidamente, é possível ser colocado como uma censura, o que limita entre o não adequado. O ego em todo esse contexto faria a intermediação e a conciliação, como se o indivíduo pudesse ter a consciência do que é possível ou não, ou seja, com uma visão unilateral e de equilíbrio.

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Simbolo da psicologia

Abre aspas para Cida Teixeira:

“O lado compensatório está presente no fanático, relacionando a necessidade da projeção e transferência seja para uma instituição, religião ou figura, pois existe um potencial avassalador com o id. Onde se não houver alguém que me contenha, eu irei me perder.”

Cida Teixeira, psicóloga

O fanatismo em outra perspectiva psicológica:

No século XIX, o psicólogo e sociólogo Gustave Le Bon chamou a atenção para as diferenças de comportamentos populares, sobretudo a determinados grupos políticos, principalmente os “extremos”: Fascistas e Comunistas.

Da mesma forma, em seu livro “Psicologia das multidões“, Le Bon escreveu: “Nas grandes multidões, acumula-se a estupidez, em vez da inteligência. Na mentalidade coletiva, as aptidões intelectuais dos indivíduos e, consequentemente, suas personalidades se enfraquecem”.

A partir das ideias de Le Bon, é possível associar a falta de inteligência a uma doutrinação por quem protagoniza discursos que influenciam pessoas. Os fanáticos não o seriam se não fossem abastecidos ideologicamente, sobretudo por discursos de ódio que afeta a minorias, que ao invés de sensibilizar todos, inflamam outros contra aqueles que são afetados.

Percepção de uma profissional a respeito das ideias de Le Bon:

Segundo a psicóloga Cida, sobre as ideias de Gustave Le Bon, É necessário reconhecer alguns aspectos negativos e não tão aceitáveis de uma determinada personalidade, para que assim, não seja preciso que algo ou alguém controle os impulso do fanático. Em geral, quando as pessoas são extremamente fanáticas, elas responsabilizam o outro na maioria de seus discursos e inconscientemente, não ocorre esse reconhecimento. É criado o desejo de que o idealizado nos tire dessa condição.

Visto que a razão é colocada em esquecimento e a emoção começa a se destacar na cabeça de um fanático, “cegando-se” como exemplifica Le Bon, o sujeito se torna facilmente submetido a manipulações. E sem saber — ou não — quem sai beneficiado por mais um fanático em determinada causa, é quem a sustenta: o partido político; a religião; uma pessoa.

Relação de Freud e Gustave Le Bon:

Em conclusão, para Cida, as ideias de Freud e Le bon estão próximas e se ligam, nas quais Sigmund Freud está ligado ao indivíduo e Gustave Le Bon nas massas sociais . Segundo a profissional da psicologia, as pessoas não se reconhecem e dentro das fragilidades humanas, há uma identificação com as vossas mazelas. Com isso, o sentido do “cegar” e da emoção ultrapassando a razão (instintivo se sobrepondo a razão), traduz essas teorias.

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