Mulher com máscara olha mostruários de sapatos em uma loja

Black Friday é inédita no ano pandêmico de 2020

Comerciantes contam como é a preparação para a Black Friday do setor em meio a um ano pandêmico

Por Ana Clara Platini Lambert, Gabriela Ferrari Toquetti, Isabela Novelli Maciel, Maria Fernanda Souza Petrizzo e Monique Rocha Lima

A Black Friday acontece em 2020 no dia 27 de novembro. Ao contrário dos Estados Unidos, onde as compras durante esse dia são, em sua maioria, em lojas físicas, no Brasil, as promoções acontecem principalmente online, desde a primeira edição, em 2010. Com um crescimento tímido no início, a data por aqui se tornou tão marcante quanto a norte-americana, apesar de menores descontos e uma difusão das promoções ao longo do mês de novembro.  

Para ilustrar melhor a Black Friday no Brasil, a Factual900 conversou com alguns funcionários de lojas, que nos contaram um pouco da sua rotina nesse período tão movimentado para o comércio.

O supervisor de pós-vendas Vinícius Ernandes está esperançoso com as vendas deste ano. “A Black Friday é o grande evento anual do e-commerce, então nós nos preparamos para ela por longos meses. Essa Black Friday será atípica e bem especial”, diz Ernandes. Ele atua como um seller, profissional que vende seus produtos dentro de um marketplace de outro site de e-commerce, como Submarino ou Americanas. 

Segundo pesquisa da Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping (AlShop), 52% dos consumidores pretende comprar durante a Black Friday, mas ninguém sabe ao certo se, na prática, essa decisão não ser prejudicada pela perda de renda durante a pandemia e o desemprego.

Mulher de máscara olha mostruário de roupas em loja
Foto: Unsplash/Arturo Rey

As preparações para os lojistas começam bem antes da última sexta-feira de novembro, data escolhida nos Estados Unidos por ser o dia seguinte ao feriado de Ação de Graças. “Estamos há alguns meses enviando nossos estoques para as marketplaces de onde o produto sairá diretamente para o cliente”, conta Ernandes. Em meio a essa nova rotina, o supervisor de pós-vendas ainda brinca: “É uma loucura organizada”. 

Ernandes ainda afirma que mais consumidores estão comprando online. “A expectativa é que um grande número de pessoas, que já tem adotado esse comportamento, aproveitem as ofertas que serão disponibilizadas neste período. O e-commerce cresceu 58% neste ano e o setor espera um crescimento de 27% no período da Black Friday em comparação com o ano passado”.

Ouça o podcast da Factual900 com os diferentes sentidos do evento:

AS PREOCUPAÇÕES DOS LOJISTAS

Nas pequenas lojas, o preparativo para a Black Friday aumenta na medida em que a data se aproxima. Para Luciene Aguida, gerente de vendas na loja Surf Co., em Camaçari, na Bahia, a arrumação da exposição dos produtos e a definição das promoções ficam para os últimos dias, sem a necessidade de coordenação de uma gigantesca operação de logística. Mas ainda assim isso depende das vendas presenciais que, certamente, vai ser afetada pela pandemia. 

Ainda é uma incógnita se o isolamento social e o medo do contágio vão afugentar clientes, evitando comparecer presencialmente às lojas e preferindo o comércio digital. A questão da disponibilidade de produtos, que é problema comum até mesmo em tempos “normais”, também desperta preocupação entre os comerciantes. 

Para eles, a falta de estoque pode ser um fator prejudicial para a data, assim como a dificuldade do atendimento,de acordo com levantamento da startup Vhsys em parceria com a empresa de tecnologia em serviços financeiros Stone. Apesar disso, 24% das empresas afirmam que adiantaram as compras e estão com estoque suficiente e 31% comentam que vão aproveitar os produtos que estavam parados durante o período de quarentena. 

Já em pesquisa realizada pela Criteo, empresa de marketing para e-commerce,  que entrevistou 13 mil consumidores em todo o mundo, descobriu-se que 27% dos clientes já se sentem seguros para voltar aos shoppings e cerca de 80% dos consumidores brasileiros continuarão comprando presentes online. Além disso, 67% deles descobriram uma nova forma de compra virtual que deverão manter. 

Com a aparente disposição dos clientes em voltarem às compras presenciais e dos lojistas em vender depois de um longo período, espera-se que estabelecimentos adotem medidas de segurança para evitar o contágio pelo novo coronavírus. 

“Continuamos com os mesmos procedimentos desde a reabertura da loja, porém no decorrer dos dias liberamos mais clientes dentro das lojas”, comenta Douglas do Nascimento Carvalho, vendedor da loja ArtWalk. “Como trabalho em um shopping de grande fluxo, fica bem difícil controlar isso. O uso de máscara continua sendo obrigatório e o álcool em gel disponível no interior da loja também.”

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