Atletas e mães: A dificuldade de conciliação entre esporte e maternidade

A maternidade em atletas sempre foi um dos principais pontos para interrupções em carreiras de sucesso. Hoje, muitas mães-atletas conseguem dar a volta por cima e retornar ao alto nível

Por: Allan Gavioli, Guilherme Campos, Marcos Santos, Paulo Galvão, Rodrigo Freire.

Ser mãe no Brasil pode significar abrir mão de muitas coisas e dedicar a maior parte de seu tempo para cuidar de filhos. De acordo com o IBGE, 5,5 milhões de famílias são chefiadas apenas por mulheres. Entre as mulheres atletas, a tarefa de conciliar maternidade e trabalho pode ser um desafio ainda maior.

A quantidade de treinos necessário para se tornar um atleta em nível profissional pode ser extenuante, e esse papel se torna cada vez mais difícil ao se aproximar da maternidade. Rotinas exaustivas de treino colocam essas mulheres em posições extremamente difíceis de conciliação e muitas delas acabam abrindo mão do esporte para se tornarem mães. No time Vôlei da Nestlé, por exemplo, apenas três atletas conseguiram conciliar a vida corrida de atleta com a mais corrida ainda de ser mãe, e esse número se torna ainda menor em esportes de destaque, como o futebol e o tênis, onde a visibilidade social interfere de forma direta na decisão das atletas de serem mães ou até mesmo dão forças para voltar.

Foi isso que aconteceu com a paulista Maureen Maggi, que tem uma filha de 14 anos e teve de abrir mão da carreira de atleta por um ano. Maureen foi campeã olímpica de salto a distância em 2008 e foi afastada quando ficou grávida, teve todo tempo do mundo para se dedicar a sua filha Sophia e retornou ao esporte olímpico.

Do outro lado da moeda, a jovem Thainá Simon, 23, ainda não tem filhos e figura em uma modalidade pouco conhecida no meio dos esportes. Ela é campeã paulista e brasileira de DHS (Downhill Slide), onde usa como instrumento um skate comprido de rodas grandes e uma ladeira de asfalto bem fresco e uniforme.

A Factual900, entrevistou a skatista para saber o que ela pensa sobre esse assunto:

Factual900: Você pensa que a carreira de atleta pode influenciar na sua decisão de ter filhos?

Thainá: Não, eu não acho que a carreira de atleta pode influenciar na minha decisão de ter filhos. No momento não quero ter filhos, mas se eu quisesse teria independente da minha carreira de atleta ou não. Acredito que não necessariamente tenha que interferir em algo.Na minha modalidade em específico se você perder um, dois ou até mais campeonatos em um ano a sua pontuação geral se mantém e é zerada no ano seguinte, assim como todas as outras atletas desta modalidade. Isso ocorre pois ainda não competimos em uma modalidade olímpica e oficial, os campeonatos são pequenos e na maioria das vezes regionais.

Reprodução: Instagram

F: Com uma eventual maternidade você se preocupa em perder espaço no esporte?

Thainá: Muito pelo contrário, acredito que uma mãe que leva seus filhos para campeonatos de skate passa uma visão muito bacana. Acho que até ganharia espaço, uma mãe skatista que leva seus filhos para competições chama muito mais atenção do que alguém que não leva ninguém. A família é muito importante no esporte, você pode ver que a maioria dos atletas possuem acompanhamento psicológico, e mesmo assim, muitos deles levam as suas famílias para as competições, então é algo que influência muito.

F: No esporte, você já viu alguém perder espaço por conta da maternidade?

Thainá: Na minha modalidade isso não ocorre, graças a Deus. Se eu tiver um filho em quanto estou competindo, consigo bloquear meus pontos com a CBSK (confederação brasileira de skate) e ver se no ano seguinte consigo reaproveitá-los. Se eu tiver um filho, terei que parar de qualquer jeito de correr campeonato para cuidar da maternidade e dos meus filhos, mas mesmo assim posso continuar frequentando as competições e dando auxílio a outras competidoras que estão começando e posso ir nos eventos esportivos tranquilamente. A minha chefa Tiz Bertoni ficou grávida e competiu até o 7 mês de gravidez, ou seja, depende da mulher. Eu seria igual a Tiz, continuaria treinando até onde desse.

Thainá tem o privilégio que muitas mulheres não tem, sua modalidade no esporte respeita as mães atletas e estabelecem condições mais justas de trabalho. Muitas sofrem e tem de abandonar toda sua carreira para cuidar de seus filhos, esperamos que isso evolua ao longo dos anos e todas as atletas possam desfrutar da beleza da maternidade.

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