A pressão da escolha profissional de todo vestibulando

Por Beatriz Moraes, Clovis Filho, Fatime Ghandour, Karen Oliveira e Mariana Nakajuni.

A maioria dos vestibulandos se sente pressionado pela escolha profissional
A maioria dos vestibulandos se sente pressionado pela escolha profissional

A adolescência é um período conturbado por si só, mas isso se intensifica com a chegada do vestibular e todas as expectativas que o acompanham. Antes de terminar o ensino médio, os estudantes precisam fazer sua escolha profissional e entram em um ciclo de dúvidas ininterruptas. Uma pesquisa realizada pelo Inep, órgão do Ministério da Educação, afirma que 56% dos alunos trocam ou abandonam o curso universitário, o que pode ser reflexo de uma decisão tomada prematuramente. 

Um exemplo disso é o estudante Kevin Macfadem, de 23 anos. Ele sempre teve facilidade com exatas e, por isso, ouviu durante muito tempo que deveria cursar Engenharia. Foi aprovado em Engenharia Mecânica na UFScar, mas logo no primeiro ano ele percebeu que não tinha a mesma empolgação que os demais colegas: “Conversando com um professor e um veterano sobre uma possível IC (Iniciação Científica) e o mercado de trabalho, vi que nenhuma opção me agradava. Foi assim que eu me toquei de que estava no curso errado”, Kevin conta. Após a aceitação de que não era por aquele caminho que ele queria seguir, veio o medo por não saber qual curso prestar e o receio de entrar novamente no mundo do vestibular. 

A maioria dos jovens afirma sentir a pressão da escolha profissional na transição do ensino fundamental para o médio, quando todos os estudos são direcionados a processos seletivos e há um hiperfoco por parte da escola no vestibular. O aluno se sente pressionado não apenas pela escola, mas também pelos familiares. A sensação da obrigatoriedade de tomar uma decisão para o resto de suas vidas causa muitas escolhas precipitadas. “Quando os vestibulares começaram, vi que não tinha certeza da minha escolha, e comecei a ficar com medo de passar no vestibular”, relata Kevin.

Mas até quem já sabe qual carreira seguir é afetado pela pressão dos processos seletivos, como Julia Filie, de 17 anos, que desde nova já sabia que queria entrar em Direito. Mas afirma que agora, no cursinho, percebe uma pressão ainda maior. Com o “É muito frenético tentar aprender o que você aprende em três anos em apenas um. Somando ao fato que o tempo todo você está sendo avaliado, é muito fácil fazer o vestibulando se sentir insuficiente”, diz. 

Sobre o cursinho, Julia comenta que mesmo com todo o conteúdo passado, não se sente confiante, pois ele “não te ensina a lidar com isso [o que é ensinado]”. Ela também descreve o período como estressante, mencionando o constante processo avaliativo pelo qual quem faz curso pré-vestibular passa. “Apesar das aulas de inteligência emocional e um ou outro discurso que te diz que tudo bem não passar esse ano, toda semana você está passando por simulados, testes, competições. Você tem seu número na lista e vai recebendo suas notas”, o que mina a autoconfiança do estudante.

Uma pesquisa realizada para o artigo “Estresse e Vestibular como Desencadeadores de Somatizações em Adolescentes e Adultos Jovens”, da pesquisadora Alice Schwanke Peruzzo, questionou jovens com idades entre 18 e 24 de cursos pré-vestibulares de Porto Alegre sobre os sentimentos que o vestibular provoca. Pelo estudo, 83% desses jovens expressaram emoções negativas, como “ansiedade”, “insegurança” e “medo”. Palavras positivas como “animação”, “confiança” e “responsabilidade” representaram apenas 4,3% das respostas. As respostas revelaram seu caráter negativo, proveniente da pressão que afeta os vestibulandos tanto no psicológico quanto no físico. 

Assista ao vídeo que a equipe da Factual900 preparou, em que acompanhamos a rotina de quatro vestibulandas.

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