A ponte entre economia e cidadania

Como a instabilidade econômica nacional afeta aqueles que estão abaixo da linha da pobreza

Por Carolina Zenzen, Fabiana Leal, Gustavo Caetano, Laura Slobodeicov Ribeiro

Basta andar alguns minutos pelas ruas das grandes cidades para perceber a quantidade de pessoas não só em situação precária, mas também vivendo nas ruas. Esta é a face mais visível e dolorosa da crise econômica. E os números são trágicos. A taxa de desemprego no Brasil chegou a 12,5% entre fevereiro e abril de 2019. Os mais de 12 milhões de desempregados reforçam outra estatística sombria: 15,2 milhões de brasileiros se encontram abaixo da linha da pobreza. De acordo com IBGE, essas pessoas possuem uma renda familiar equivalente a 387,07 reais. Sem dinheiro suficiente para sustentar uma família, muitas dessas pessoas acabam indo viver nas calçadas.

“Este baixo crescimento está gerando um forte desemprego em todas as faixas da sociedade brasileira, afetando principalmente a população mais carente e sem escolaridade”, esclarece o economista Ricardo de Souza. Doutor em economia e formado pela EPGE/FGV, Ricardo explica que o Brasil está se defrontando com um fraco crescimento econômico. “Está perto de 1% ao ano, após ter sido abatido pela maior crise econômica nos anos de 2015 e 2016, onde perdeu mais de 9%. Apesar da inflação estar sobre controle, a economia brasileira não está reagindo positivamente ao estímulo da queda da taxa de juros ao seu menor nível na história.”

O combo desemprego e crise econômica faz com que o número de sem-teto aumente anualmente. Na opinião de Ricardo, para que essa situação mude é necessário o crescimento econômico do país, o aumento das oportunidades de emprego e o término dos déficits fiscais do governo de todas as esferas.

Depressão, abuso de drogas e ruptura dos laços familiares são outros motivos que levam alguns indivíduos para o desamparo nas ruas. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) informa que há 101 mil moradores de rua. A maioria é do sexo masculino sendo negros, pardos, indígenas ou orientais. Porém, apenas 47% deles  estavam no Cadastro Único de Programas Sociais, um serviço que identifica e caracteriza as famílias de baixa renda com a finalidade de fazer o reconhecimento da situação socioeconômica dessa população. 

“Você não vê gente pobre pelas ruas com físico esquelético”, afirmou o presidente Jair Bolsonaro , fala que em nada contribui para enfrentar essa questão. Durante essa polêmica, onde o próprio governo não reconhece a realidade do país, o Movimento Nacional de Populações em Situação de Rua (MNPR) declarou que há pessoas comendo pombo nas ruas do Rio de Janeiro para sobreviver. Na capital fluminense, existem cerca de 14 mil pessoas nas condições descritas, segundo o Ipea.

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