Crise editorial: Livraria Laselva

No dia 05/03/2018, o juiz Marcelo Barbosa Sacramone, da 2° Vara de falências e recuperações judiciais decretou a falência da Livraria Laselva, que chegou a ter 83 lojas, espalhadas e aeroportos e até lugares luxuosos com o Shopping Iguatemi, em São Paulo. Após passar por várias turbulências e ser administrada por três gerações diferentes da família durante sua história, a franquia sucumbiu à crise editorial.

Na decisão, o juiz alegou que a Livraria Laselva “descumpriu o plano de recuperação judicial por ela próprio proposto (e iniciado em maio de 2013) e pelos credores aprovados”, utilizando como justificativa que “apesar de ter demonstrado o pagamento de 180 credores, outros 630 não foram satisfeitos”.

Após mais de 70 anos, desde que, em um dia comum de 1947, Onofrio Laselva levou sua família para o aeroporto de Congonhas para assistir a um voo inaugural, quando ao chegar viu um vendedor ambulante comercializando jornais. Essa cena banal foi o gatilho para uma ideia que mudaria a vida de sua família por gerações. Com uma visão empreendedora aguçada, comprou um ponto comercial no aeroporto e fundou a empresa que por tanto tempo teve sucesso.

Livraria Laselva
A loja da Livraria Laselva do Terminal Rodoviário da Barra Funda. (Foto: Gabriel Oliveira/Guia da Semana)

A crise editorial
“É uma crise que não foi causada por um motivo único. O que ocorre, há no mínimo 10 anos, é que o modelo que era vitorioso começou a entrar em colapso”, diz Bernardo Gurbanov, presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL). Pode ser explicada por algumas razões, como a perda de espaço desses estabelecimentos para:

  • distribuidores;
  • marketplaces;
  • livrarias exclusivamente virtuais;
  • igrejas;
  • escolas.

Ademais, o mercado atacadista lucra muito com vendas governamentais nas quais os exemplares custam um preço muito abaixo do mercado e o varejo é ignorado. A Lei do Preço Fixo (PL 49/2015) visa coibir essa prática.
Ferramentas como Kindle, e-book e Amazon contribuem para o fenômeno da “hiperconcentração” e a mudança de perfil do público leitor, que já foi maior.

É necessário que o mercado acompanhe a metamorfose do consumidor, ao passo que “o varejo se caracteriza pela atenção ao público, então precisa vender”, explica Gurbanov.

Otimista, o presidente da ANL considera que: “o ecossistema do livro vive, historicamente, acompanhando e sendo canal de gestão de novas formas de conhecimento”.

Deste modo, Gurbanov aponta para uma melhora na situação das livrarias, dentre elas, a Livraria Laselva, tendo em vista que “nenhuma crise é terminal, a não ser que a tecnologia se torne obsoleta. Mas o livro e o papel perduram há muito tempo dividindo espaço com outras tecnologias”.

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1 comentário em “Crise editorial: Livraria Laselva”

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